{"id":7177,"date":"2019-09-05T15:50:16","date_gmt":"2019-09-05T18:50:16","guid":{"rendered":"http:\/\/peabiru.org.br\/?p=7177"},"modified":"2019-09-05T15:50:16","modified_gmt":"2019-09-05T18:50:16","slug":"diadaamazonia-agenda-discutir-o-impacto-de-nossa-dieta-para-o-futuro-da-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.peabiru.org.br\/en\/2019\/09\/05\/diadaamazonia-agenda-discutir-o-impacto-de-nossa-dieta-para-o-futuro-da-amazonia\/","title":{"rendered":"#DiadaAmaz\u00f4nia Agenda: discutir o impacto de nossa dieta para o futuro da Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"300\" src=\"https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/patrimonio.jpg?w=800\" alt=\"\" class=\"wp-image-3841\" srcset=\"https:\/\/www.peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/patrimonio.jpg 800w, https:\/\/www.peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/patrimonio-300x113.jpg 300w, https:\/\/www.peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/patrimonio-768x288.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>A produ\u00e7\u00e3o de\nprote\u00ednas de alto impacto socioambiental est\u00e1 diretamente relacionada aos\ncrescentes n\u00edveis de desmatamento na Amaz\u00f4nia e o que colocamos \u00e0 mesa tem\ngrande influ\u00eancia nesse cen\u00e1rio<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap has-text-align-justify wp-block-paragraph\">O\nBrasil abriga a maior extens\u00e3o de floresta tropical do planeta e \u00e9 considerado\num pa\u00eds megadiverso devido \u00e0 dimens\u00e3o e diversidade de seus recursos\nbiol\u00f3gicos. Suas florestas, naturais e plantadas, correspondem a\naproximadamente 58% do territ\u00f3rio nacional, o equivalente a 493,5 milh\u00f5es de\nhectares. Entretanto, tais n\u00fameros significam uma maior responsabilidade sobre\nesses recursos, sobretudo no que diz respeito \u00e0 contribui\u00e7\u00e3o brasileira \u00e0\nmanuten\u00e7\u00e3o das florestas mundiais. De acordo com relat\u00f3rio da <em>Food and Agriculture Organization<\/em> das\nNa\u00e7\u00f5es Unidas (FAO, 2015) o Brasil encabe\u00e7a a lista dos pa\u00edses com maior perda\nde \u00e1rea florestal entre 2010 e 2015, evidenciando que a redu\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis de\ndesmatamento segue como um indicador da incapacidade de cuidar deste patrim\u00f4nio.\nUma das principais causas \u00e9 a incapacidade dos setores p\u00fablicos brasileiros em\nenfrentar a quest\u00e3o com determina\u00e7\u00e3o, especialmente no que se refere \u00e0\nfiscaliza\u00e7\u00e3o e puni\u00e7\u00e3o da atividade ilegal. As pol\u00edticas p\u00fablicas tamb\u00e9m n\u00e3o conseguem\noferecer incentivos a alternativas para a conserva\u00e7\u00e3o associadas \u00e0 bioeconomia\ne ao respeito a povos e comunidades tradicionais. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Um dos maiores desafios da humanidade est\u00e1 em associar seus\nh\u00e1bitos de consumo ao impacto na conserva\u00e7\u00e3o das florestas. Recentemente, o\nalerta de queimadas de florestas amaz\u00f4nicas reacendeu o debate sobre os\ncontextos e principais causas do desmatamento na regi\u00e3o. Neste contexto a pecu\u00e1ria\nse apresenta como o principal motor do desmatamento, devido a seu alto\npotencial lucrativo para os produtores (MARGULIS, 2003). \n\nEm\ntodo o planeta a pecu\u00e1ria \u00e9 o setor econ\u00f4mico que mais utiliza terras (pastagens:\n26% da superf\u00edcie livre de gelo; produ\u00e7\u00e3o de ra\u00e7\u00e3o animal: 33% das lavouras),\nocupando mais de 1\/3 das terras \u00fateis do globo. As\nflorestas tropicais est\u00e3o entre os ambientes mais pressionados pela expans\u00e3o da\natividade pecu\u00e1ria, com uma perda global de 600 milh\u00f5es de hectares\nde vegeta\u00e7\u00e3o, 25% deles no Brasil. Perdemos em m\u00e9dia cerca de 1% de florestas\ntropicais por ano, o que levar\u00e1 o Planeta, neste ritmo, a reduzir mais de 80%\ndessas florestas at\u00e9 o fim do presente s\u00e9culo. \n\n\n\n<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/dsc05219-reduzida.jpg?w=800\" alt=\"\" class=\"wp-image-7184\" srcset=\"https:\/\/www.peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/dsc05219-reduzida.jpg 800w, https:\/\/www.peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/dsc05219-reduzida-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/dsc05219-reduzida-768x576.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Cerca de 1\/3 das florestas tropicais brasileiras j\u00e1 foram\ndestru\u00eddas. A Amaz\u00f4nia Brasileira acumula perdas de 75 milh\u00f5es de hectares (mais\nde 15% da \u00e1rea original) e a Mata Atl\u00e2ntica de pelo menos 100 milh\u00f5es de\nhectares (88% do original). Hoje, mais de 3\/4 das \u00e1reas onde havia florestas\ntropicais s\u00e3o ocupados pela atividade pecu\u00e1ria (MEIRELLES, 2013). <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">S\u00f3 no Brasil 200 milh\u00f5es de hectares s\u00e3o dedicados a pastos, enquanto a maior parte dos 33 milh\u00f5es hectares de soja e dos 15 milh\u00f5es hectares da safra de milho (em 2 safras) \u00e9 destinada \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o animal (tanto no Brasil quanto no exterior). Isto equivale a aproximadamente 220 milh\u00f5es de hectares de terras no Brasil dedicados \u00e0 pecu\u00e1ria. Em menos de meio s\u00e9culo, o Brasil deslocou mais de 40% de seu rebanho bovino para a Amaz\u00f4nia. Se projetado seu crescimento como nas \u00faltimas d\u00e9cadas, metade da boiada do Brasil viver\u00e1 na regi\u00e3o amaz\u00f4nica nos pr\u00f3ximos anos. Como a produtividade altera-se lentamente, ser\u00e1 preciso desmatar mais 40 milh\u00f5es de hectares (o equivalente \u00e0 soma dos estados de S\u00e3o Paulo e do Rio de Janeiro).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Rediscutir a dieta \u2013 um tabu?<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">A obten\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas para a seguran\u00e7a alimentar em atividades que n\u00e3o esgotem os recursos naturais do pa\u00eds e do planeta raramente est\u00e1 na agenda p\u00fablica brasileira ou mesmo de outros pa\u00edses. Cada vez mais estudos apontam a necessidade de diminuir o consumo de carnes e latic\u00ednios (CHATHAM HOUSE, 2015). Ainda assim, tem prevalecido o modelo de desenvolvimento que valoriza e estimula o consumo de carnes e latic\u00ednios como parte imprescind\u00edvel da dieta humana. Os consumidores, por sua vez, raramente relacionam o que est\u00e1 \u00e0 mesa com a destrui\u00e7\u00e3o dos recursos naturais, com grande parte dos consumidores transferindo a responsabilidade do que consome ao poder p\u00fablico e a grandes corpora\u00e7\u00f5es. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"676\" height=\"451\" src=\"https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/hermes-rivera-ww8eqwjmjwk-unsplash-reduzida.jpg?w=676\" alt=\"\" class=\"wp-image-7185\" srcset=\"https:\/\/www.peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/hermes-rivera-ww8eqwjmjwk-unsplash-reduzida.jpg 676w, https:\/\/www.peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/hermes-rivera-ww8eqwjmjwk-unsplash-reduzida-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 676px) 100vw, 676px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-text-color wp-block-paragraph\" style=\"color:#717273;font-size:11px;\"> Rela\u00e7\u00e3o entre produ\u00e7\u00e3o de prote\u00edna animal e explora\u00e7\u00e3o dos recursos naturais ainda n\u00e3o est\u00e1 presente no debate p\u00fablico sobre a conserva\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia. Imagem:&nbsp;Hermes River\/<a href=\"https:\/\/unsplash.com\/search\/photos\/meal?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText\">Unspla<\/a>sh<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Se os impactos da produ\u00e7\u00e3o intensiva de prote\u00edna animal s\u00e3o devastadores e com efeitos imediatos (como as queimadas), por que o apelo pela contribui\u00e7\u00e3o popular com o meio ambiente restringe-se a recomenda\u00e7\u00f5es banais e pueris como \u201csepare o lixo\u201d e \u201ctome banhos curtos\u201d? Por que a m\u00eddia, a academia e mesmo os ativistas n\u00e3o discutem a dieta do brasileiro e do planeta? O que justifica a manuten\u00e7\u00e3o do aparente \u201cforo privilegiado\u201d de que goza a pecu\u00e1ria no Brasil? <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Embora o brasileiro se coloque como um dos povos mais preocupados com o ambiente e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas [LEISEROWITZ, 2007; PEW 2015], a maioria de n\u00f3s n\u00e3o toma decis\u00f5es racionais baseadas no conhecimento sobre o impacto socioambiental do consumo e de suas consequ\u00eancias \u00e0s pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es. Rar\u00edssimos aceitam o fato (e tomam provid\u00eancias) de que o seu consumo de carne bovina tem impacto direto na destrui\u00e7\u00e3o da floresta amaz\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">\u00c9 crucial buscarmos prote\u00ednas de baixo impacto socioambiental e baixo\ncusto econ\u00f4mico, que promovam a gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda de forma sustent\u00e1vel,\nigualdade, bem-estar humano e animal, e possibilidades de sobreviv\u00eancia neste planeta,\ncom impacto positivo para a sa\u00fade humana e o clima. Entre as alternativas que\nprecisam adquirir escala est\u00e3o a produ\u00e7\u00e3o de fontes de prote\u00ednas vegetais para\nalimenta\u00e7\u00e3o, o consumo de produtos de base florestal e agroecol\u00f3gicos de \u00e1reas\nde regenera\u00e7\u00e3o e a cria\u00e7\u00e3o de ambientes de neg\u00f3cios sustent\u00e1veis pelo mercado. Implementar\nestruturas legais, fortalecendo institui\u00e7\u00f5es e o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o pela\nsociedade civil \u00e9 fundamental, assim como apoiar ostensivamente a amplia\u00e7\u00e3o de\npr\u00e1ticas de produ\u00e7\u00e3o e consumo sustent\u00e1veis, e consequentemente, a conserva\u00e7\u00e3o das\nflorestas e os servi\u00e7os ambientais associados. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">A colabora\u00e7\u00e3o entre os setores p\u00fablicos, as organiza\u00e7\u00f5es de ensino e pesquisa,\nas organiza\u00e7\u00f5es de produtores, consumidores e o setor privado nos temas da alimenta\u00e7\u00e3o,\nagricultura e meio ambiente se faz necess\u00e1ria para adotarmos definitivamente as\nalternativas de baixo impacto e reestabelecermos a real conex\u00e3o entre estes\naspectos da vida humana, sobretudo na Amaz\u00f4nia. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Discutir abertamente o impacto das atividades produtivas que se ligam ao\nconsumo alimentar \u00e9 o primeiro passo. A quest\u00e3o precisa estar nos curr\u00edculos\nescolares, na pesquisa cient\u00edfica, na m\u00eddia. Precisamos de indicadores\nacess\u00edveis e transparentes que informem sobre o impacto socioambiental do que comemos.\nCom mais acesso a informa\u00e7\u00e3o e ao debate, torna-se mais vi\u00e1vel n\u00e3o s\u00f3 tomarmos\nmelhores decis\u00f5es de consumo, como assumirmos o nosso papel cotidiano no\ncombate \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o das florestas e da pr\u00f3pria possibilidade de sobreviv\u00eancia no\nPlaneta Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A produ\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas de alto impacto socioambiental est\u00e1 diretamente relacionada aos crescentes n\u00edveis de desmatamento na Amaz\u00f4nia e o que colocamos \u00e0 mesa tem grande influ\u00eancia nesse cen\u00e1rio O Brasil abriga a maior extens\u00e3o de floresta tropical do planeta e \u00e9 considerado um pa\u00eds megadiverso devido \u00e0 dimens\u00e3o e diversidade de seus recursos biol\u00f3gicos. 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