{"id":5420,"date":"2017-10-25T11:16:22","date_gmt":"2017-10-25T14:16:22","guid":{"rendered":"http:\/\/peabiru.org.br\/?p=5420"},"modified":"2017-10-25T11:16:22","modified_gmt":"2017-10-25T14:16:22","slug":"artigo-de-joao-meirelles-na-revista-pagina-22-aborda-impactos-positivos-do-manejo-de-abelhas-sem-ferrao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.peabiru.org.br\/en\/2017\/10\/25\/artigo-de-joao-meirelles-na-revista-pagina-22-aborda-impactos-positivos-do-manejo-de-abelhas-sem-ferrao\/","title":{"rendered":"Artigo de Jo\u00e3o Meirelles na revista P\u00e1gina 22 aborda impactos positivos do manejo de abelhas sem ferr\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>O texto \u201cA revolu\u00e7\u00e3o das abelhas sem ferr\u00e3o\u201d, do diretor do Instituto Peabiru, Jo\u00e3o Meirelles Filho, fala sobre os impactos da meliponicultura em diversas \u00e1reas: da conserva\u00e7\u00e3o ambiental \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de renda local.<\/p>\n<p>O Peabiru vem desenvolvendo trabalho pioneiro com a atividade h\u00e1 mais uma d\u00e9cada, a fim de fortalecer a cadeia de valor do mel de abelhas sem ferr\u00e3o em comunidades tradicionais da Amaz\u00f4nia [saiba mais sobre o projeto, denominado <a href=\"https:\/\/www.peabiru.org.br\/en\/nectardaamazonia\/\">N\u00e9ctar da Amaz\u00f4nia<\/a>].<\/p>\n<p>Clique aqui para acessar a <a href=\"http:\/\/pagina22.com.br\/2017\/10\/24\/revolucao-das-abelhas-sem-ferrao\/\">publica\u00e7\u00e3o original<\/a>, no site da Revista P\u00e1gina 22, ou veja abaixo reprodu\u00e7\u00e3o do texto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_5457\" style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5457\" class=\"alignnone size-full wp-image-5457\" src=\"https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/8-160223-retirada-seringa1.jpg\" alt=\"8-160223-retirada-seringa1\" width=\"800\" height=\"659\" srcset=\"https:\/\/www.peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/8-160223-retirada-seringa1.jpg 800w, https:\/\/www.peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/8-160223-retirada-seringa1-300x247.jpg 300w, https:\/\/www.peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/8-160223-retirada-seringa1-768x633.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><p id=\"caption-attachment-5457\" class=\"wp-caption-text\">Meirelles verifica produ\u00e7\u00e3o de Melipona flavolineata, Mel da Pedreira, Macap\u00e1, AP. Fev. 2016. Foto acervo Peabiru.<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>A revolu\u00e7\u00e3o das abelhas sem ferr\u00e3o<\/h2>\n<p><em>A restaura\u00e7\u00e3o de 12 milh\u00f5es de hectares de florestas, compromisso do Brasil dentro do Acordo de Paris, depende diretamente do manejo das abelhas nativas do g\u00eanero Melipona, que representam um imenso e pouco conhecido patrim\u00f4nio natural do Pa\u00eds<\/em><\/p>\n<p>A humanidade observa at\u00f4nita o desaparecimento das abelhas e seus servi\u00e7os ambientais. Segundo Gould, entre 1947 e 2005, nos Estados Unidos o decl\u00ednio das col\u00f4nias de abelhas domesticadas foi de 60%. No Brasil, o fen\u00f4meno \u00e9 recente e comprovado nos estados do Rio Grande do Sul e de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>O colapso global associa-se ao uso intensivo de produtos qu\u00edmicos e a altera\u00e7\u00f5es em ambientes naturais. Para Gallai e colegas, se esta perda continuar, frutas, vegetais e estimulantes (como o caf\u00e9) n\u00e3o ser\u00e3o capazes de atender \u00e0s demandas. Para Aizen &amp; Harder, nos \u00faltimos 50 anos, a agricultura global que depende da poliniza\u00e7\u00e3o de animais aumentou em 300%, e a maior parte da comida do planeta hoje depende de polinizadores. Globalmente, conforme recorda Gallai e colegas, o valor econ\u00f4mico dos polinizadores \u00e9 estimado em 1\/10 do valor da agricultura (US$ 153,1 bilh\u00f5es\/ano), e as abelhas est\u00e3o entre seus principais agentes.<\/p>\n<p>As abelhas aumentam a quantidade e a qualidade dos frutos, agrega-lhes mais valor, sabor, do\u00e7ura e forma mais atraente. Mesmo plantas que n\u00e3o dependem dessa a\u00e7\u00e3o, como a soja, ganham mais peso em seu gr\u00e3o se mais bem polinizadas. A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas criou a Plataforma Intergovernamental de Biodiversidade e Servi\u00e7os Ambientais (IPBES) para monitorar perdas de biodiversidade, incluindo polinizadores e produ\u00e7\u00e3o de alimentos. O IPBES demonstrou a import\u00e2ncia de abelhas silvestres na estrat\u00e9gia de produ\u00e7\u00e3o de alimentos e enfrentamento da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, com aten\u00e7\u00e3o \u00e0 agricultura familiar.<\/p>\n<p><strong>Biodiversidade \u2013\u00a0<\/strong>Estima-se em 25 mil esp\u00e9cies de abelhas no planeta. No Brasil h\u00e1 milhares de esp\u00e9cies, o destaque \u00e9 para o g\u00eanero das <em>Melipona<\/em>, as abelhas sem ferr\u00e3o. Diferentemente das abelhas do g\u00eanero <em>Apis, <\/em>introduzidas no Brasil em 1838, animal ex\u00f3tico e perigoso (sua picada pode matar), as Meliponas n\u00e3o apresentam risco e, ap\u00f3s milh\u00f5es de anos de evolu\u00e7\u00e3o, est\u00e3o mais bem adaptadas ao meio. Das 600 esp\u00e9cies desse g\u00eanero no mundo, h\u00e1 244 no Brasil, e 89 aguardam descri\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Na Amaz\u00f4nia h\u00e1 114 esp\u00e9cies, n\u00famero que pode crescer. E n\u00e3o h\u00e1 sequer invent\u00e1rio de esp\u00e9cies por estado que, para Vera Imperatriz-Fonseca, pesquisadora do Instituto Tecnol\u00f3gico Vale (ITVS) seria de grande relev\u00e2ncia. As abelhas sem ferr\u00e3o s\u00e3o conhecidas por uru\u00e7u, jata\u00ed, mandassaia etc. e representam imenso e pouco conhecido patrim\u00f4nio\u00a0brasileiro.<\/p>\n<p><strong>Conserva\u00e7\u00e3o \u2013 <\/strong>Se considerada apenas a floresta amaz\u00f4nica, como concluiu Warwick Kerr em estudos no Tapaj\u00f3s apontam que de 35% a 90% das \u00e1rvores dependam de abelhas como polinizadores prim\u00e1rios. Uma floresta conservada tem dezenas de esp\u00e9cies, em pastagem degradada dificilmente acha-se mais que duas.<\/p>\n<p><strong>Restaura\u00e7\u00e3o florestal<\/strong>\u00a0\u2013\u00a0Em 2015, na Confer\u00eancia do Clima da ONU em Paris. o Brasil se comprometeu a restaurar 12 milh\u00f5es de hectares de florestas at\u00e9 2030 para reduzir em 43% suas emiss\u00f5es. Esta meta espetacular s\u00f3 ser\u00e1 alcan\u00e7ada se considerado o manejo de mel\u00edponas. As abelhas aumentam a poliniza\u00e7\u00e3o, a produ\u00e7\u00e3o de frutos e a dispers\u00e3o de sementes, al\u00e9m de combater o desmatamento e o fogo (um dos maiores problemas da restaura\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p><strong>Mais produ\u00e7\u00e3o \u2013\u00a0<\/strong>Alguns dos produtos do Brasil e da Amaz\u00f4nia, como a\u00e7a\u00ed, castanha, cacau, pimentas e frutas, dependem das abelhas sem ferr\u00e3o para poliniza\u00e7\u00e3o. No caso do a\u00e7a\u00ed, as mel\u00edponas est\u00e3o entre principais polinizadores. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa) e o Instituto Peabiru iniciaram pesquisas para saber se a cria\u00e7\u00e3o de mel\u00edponas nos a\u00e7aizais aumenta a produ\u00e7\u00e3o. Esta \u00e9 uma informa\u00e7\u00e3o importante, afirma Ant\u00f4nio Cordeiro de Santa, da Universidade Federal Rural da Amaz\u00f4nia, pois o a\u00e7a\u00ed se tornou cadeia de valor que movimenta mais de R$ 4 bilh\u00f5es\/ano, e principal fonte de renda a muitas comunidades da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p><strong>Mel valioso <\/strong>\u2013\u00a0Apesar de explorado por \u00edndios, foi sempre escasso e \u00a0\u00e9 valorizado pela medicina tradicional. A demanda crescente \u00e9 puxada pelo mercado <em>gourmet.<\/em> Com milhares de pequenos criadores, seu valor \u00e9 pelo menos 3 vezes mais alto que das <em>Apis, <\/em>inclusive porque uma colmeia produz pouco mais de 1quilograma mel\/ano (na <em>Apis<\/em> s\u00e3o 10 a 20 quilogramas).<\/p>\n<p><strong>Meliponicultura<\/strong> \u2013\u00a0Somente agora, ap\u00f3s 50 anos desde sua defini\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, a cria\u00e7\u00e3o racional de abelhas sem ferr\u00e3o \u2013 a meliponicultura \u2013 come\u00e7a a adquirir escala. Entre os difusores da meliponicultura na Amaz\u00f4nia est\u00e3o Embrapa, Universidade Federal do Maranh\u00e3o e ONGs (Instituto Socioambiental, Funda\u00e7\u00e3o Amazonas Sustent\u00e1vel e Peabiru). A capacita\u00e7\u00e3o de agricultores familiares e a simplifica\u00e7\u00e3o \u00a0do licenciamento do manejo de abelhas nativas permitiram o surgimento de iniciativas como o projeto <a href=\"https:\/\/www.peabiru.org.br\/en\/nectardaamazonia\/\">N\u00e9ctar da Amaz\u00f4nia<\/a>, do Instituto Peabiru, financiado pelo Fundo Amaz\u00f4nia (BNDES), envolvendo mais de 100 produtores e 5 mil colmeias de 5 munic\u00edpios no Amap\u00e1 e Par\u00e1, legalizadas no Sistema Nacional de Gest\u00e3o de Fauna Silvestre (Sisfauna) e alcan\u00e7ando o mercado com Selo de Inspe\u00e7\u00e3o Federal (SIF).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_5464\" style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5464\" class=\"alignnone size-full wp-image-5464\" src=\"https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/3-rafael_araujo_visualizaccca7acc83o-de-rainha-de-uruccca7ucc81-amarela-melipona-flavolineata-em-colmeia-racional-curuccca7acc81.jpg\" alt=\"3-rafael_araujo_visualizaccca7acc83o-de-rainha-de-uruccca7ucc81-amarela-melipona-flavolineata-em-colmeia-racional-curuccca7acc81-\" width=\"800\" height=\"533\" srcset=\"https:\/\/www.peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/3-rafael_araujo_visualizaccca7acc83o-de-rainha-de-uruccca7ucc81-amarela-melipona-flavolineata-em-colmeia-racional-curuccca7acc81.jpg 800w, https:\/\/www.peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/3-rafael_araujo_visualizaccca7acc83o-de-rainha-de-uruccca7ucc81-amarela-melipona-flavolineata-em-colmeia-racional-curuccca7acc81-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/3-rafael_araujo_visualizaccca7acc83o-de-rainha-de-uruccca7ucc81-amarela-melipona-flavolineata-em-colmeia-racional-curuccca7acc81-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><p id=\"caption-attachment-5464\" class=\"wp-caption-text\">Uruc\u0327u\u0301 Amarela (Melipona flavolineata), Curuc\u0327a\u0301, PA. Nov. 2015 Foto: Rafael Ara\u00fajo<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Renda local<\/strong> \u2013\u00a0Para 1 milh\u00e3o de agricultores familiares da Amaz\u00f4nia, 30 colmeias podem gerar R$ 600\/ano, equivalente \u00e0 renda de mais de um m\u00eas. Melhora tamb\u00e9m a seguran\u00e7a alimentar da fam\u00edlia com mais frutos e mel na mesa. Se o controle do dinheiro estiver com a mulher, seu impacto \u00e9 ainda maior. Tem potencial, inclusive, de desestimular a juventude a migrar em busca de trabalho. Mais que fonte de renda, para Vera Imperatriz-Fonseca, a meliponicultura deveria ser atividade rural com outra qualquer outra, pois s\u00e3o animais silvestres que fazem parte do dia a dia do agricultor.<\/p>\n<p><strong>Sociobiodiversidade <\/strong>\u2013\u00a0As mel\u00edponas s\u00e3o generalistas na busca de n\u00e9ctar e p\u00f3len, ou seja, coletam o n\u00e9ctar e p\u00f3len de diversas plantas. Seu mel cont\u00e9m a ess\u00eancia de toda uma floresta em uma colher. O consumidor adquire mais que um ado\u00e7ante com sabores diversificados e caracter\u00edsticas f\u00edsico-qu\u00edmicas peculiares. \u00c9 poderoso aliado da conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade e restaura\u00e7\u00e3o florestal para manter a floresta em p\u00e9. \u00c9 produto da sociodiversidade brasileira \u2013\u00a0ind\u00edgenas, quilombolas e povos e comunidades tradicionais, gerando renda em seu territ\u00f3rio.<\/p>\n<p><strong>Desafio <\/strong>\u2013\u00a0Se encontrarmos mecanismos de remunerar os servi\u00e7os ambientais das abelhas sem ferr\u00e3o, al\u00e9m do mel e colmeias a outros produtores, revolucionaremos a restaura\u00e7\u00e3o florestal, o combate a queimadas e desmatamentos, e por consequ\u00eancia o enfrentamento da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, gerando uma revolu\u00e7\u00e3o rural.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O texto \u201cA revolu\u00e7\u00e3o das abelhas sem ferr\u00e3o\u201d, do diretor do Instituto Peabiru, Jo\u00e3o Meirelles Filho, fala sobre os impactos da meliponicultura em diversas \u00e1reas: da conserva\u00e7\u00e3o ambiental \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de renda local. 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