{"id":5383,"date":"2017-10-23T15:35:02","date_gmt":"2017-10-23T18:35:02","guid":{"rendered":"http:\/\/peabiru.org.br\/?p=5383"},"modified":"2017-10-23T15:35:02","modified_gmt":"2017-10-23T18:35:02","slug":"estudo-do-peabiru-e-citado-em-materia-do-el-pais-sobre-a-producao-de-oleo-de-palma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.peabiru.org.br\/en\/2017\/10\/23\/estudo-do-peabiru-e-citado-em-materia-do-el-pais-sobre-a-producao-de-oleo-de-palma\/","title":{"rendered":"Estudo do Peabiru \u00e9 citado em mat\u00e9ria do El Pa\u00eds sobre a produ\u00e7\u00e3o de \u00f3leo de palma"},"content":{"rendered":"<p>Texto de Heriberto Ara\u00fajo publicado no <strong>El Pa\u00eds<\/strong> em 18 de outubro de 2017 fala sobre a pol\u00eamica em torno da produ\u00e7\u00e3o de \u00f3leo de palma (dend\u00ea), e suas oportunidades em termos de gera\u00e7\u00e3o de renda ao pequeno produtor local e reflorestamento. A mat\u00e9ria se refere a <a href=\"https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/160721_peabiru-indicadores-socioambientais-agric-familiar.pdf\">estudo do Peabiru\u00a0sobre a cadeia de valor da palma (dend\u00ea)<\/a>, desenvolvido no quinto ano do Programa Dend\u00ea &#8211; Projeto Indicadores Socioambientais,\u00a0 no eixo de responsabilidade social corporativa, e destaca fala do Diretor Geral Jo\u00e3o Meirelles.<\/p>\n<p>Veja abaixo reprodu\u00e7\u00e3o do texto.<\/p>\n<p>Para acessar o conte\u00fado no original, <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/10\/11\/economia\/1507729507_890049.html\">clique aqui para portugu\u00eas<\/a> e\u00a0<a href=\"https:\/\/elpais.com\/elpais\/2017\/10\/11\/planeta_futuro\/1507729507_890049.html\">aqui para espanhol<\/a>.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-5390\" style=\"margin:0;padding:0;border:0 none;display:block;\" src=\"https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/pg43-dende-plantac3a7c3a3o-c2a9rafael-araujo.jpg\" alt=\"pg43-dende-plantac3a7c3a3o-c2a9rafael-araujo\" width=\"1000\" height=\"667\" srcset=\"https:\/\/www.peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/pg43-dende-plantac3a7c3a3o-c2a9rafael-araujo.jpg 1000w, https:\/\/www.peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/pg43-dende-plantac3a7c3a3o-c2a9rafael-araujo-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/pg43-dende-plantac3a7c3a3o-c2a9rafael-araujo-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/>Cultivo de Dend\u00ea no Par\u00e1. Foto de Rafael Ara\u00fajo, arquivo interno do Peabiru.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo\">\u00d3leo de palma, um algoz que quer mudar de papel na Amaz\u00f4nia<\/h2>\n<div class=\"articulo-subtitulos\">\n<p class=\"articulo-subtitulo\"><em>Ele \u00e9, juntamente com a soja, um dos cultivos mais pol\u00eamicos e de maior expans\u00e3o na \u00faltima d\u00e9cada.\u00a0<\/em><em>Defensores alegam que as palmeiras geram renda, freiam as atividades predat\u00f3rias e recuperam a mata.<\/em><\/p>\n<p>A\u00a0palmeira do dend\u00ea\u00a0\u00e9, ao lado da\u00a0soja, um dos cultivos mais controvertidos e de maior expans\u00e3o na \u00faltima d\u00e9cada, devido ao uso industrial do \u00f3leo de palma. Em v\u00e1rias regi\u00f5es de clima tropical, da\u00a0Mal\u00e1sia\u00a0ao\u00a0Peru, a prolifera\u00e7\u00e3o das planta\u00e7\u00f5es causa desmatamento e conflitos fundi\u00e1rios. Enquanto isso, no Brasil \u2013 o gigante amaz\u00f4nico, com 64% desse bioma dentro de suas fronteiras \u2013, a produ\u00e7\u00e3o desse \u00f3leo vem representando uma alternativa econ\u00f4mica para uma popula\u00e7\u00e3o com poucas oportunidades, e tamb\u00e9m uma forma de reflorestar pastos abandonados pela atividade pecu\u00e1ria, grande vetor de\u00a0destrui\u00e7\u00e3o da floresta.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s tamb\u00e9m queremos desfrutar do progresso. N\u00e3o \u00e9 porque somos amaz\u00f4nidas que n\u00e3o sonhamos com um\u00a0iPhone\u00a0e com mandar os nossos filhos para a universidade\u201d, diz Zeno Martins, gerente agr\u00edcola de uma fazenda da Agropalma, maior produtora de \u00f3leo de palma do Brasil. Seu coment\u00e1rio resume a incredulidade \u2013 e certa indigna\u00e7\u00e3o \u2013 que a popula\u00e7\u00e3o da\u00a0Amaz\u00f4nia\u00a0sente diante de cr\u00edticas internacionais a qualquer atividade econ\u00f4mica feita na regi\u00e3o. \u201cMuitos ignoram que a Amaz\u00f4nia brasileira n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 floresta, mas tamb\u00e9m mais de 25 milh\u00f5es de habitantes\u201d, salienta.<\/p>\n<p>Apesar de ser tradicionalmente usado na culin\u00e1ria da Bahia \u2013 aonde supostamente chegou trazido por escravos africanos, e a partir de onde o nome dend\u00ea se espalhou \u2013, o \u00f3leo de palma tinha uma produ\u00e7\u00e3o modesta no Brasil at\u00e9 que, em 2010, o ent\u00e3o presidente\u00a0Luiz In\u00e1cio Lula da Silva\u00a0impulsionou a expans\u00e3o do setor. O ex-l\u00edder sindical pretendia gerar um polo de produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis no Estado do Par\u00e1, e para isso incentivou grandes empresas nacionais \u2013 como a mineradora Vale e a petroleira\u00a0Petrobras\u00a0\u2013 a se instalarem numa regi\u00e3o j\u00e1 desmatada nos munic\u00edpios de Moju e Tail\u00e2ndia.<\/p>\n<p>O plano do Governo acabou fracassando, mas s\u00f3 parcialmente. \u201cEm cinco anos aumentamos a \u00e1rea plantada em 100.000 hectares. Essa expans\u00e3o teria continuado se n\u00e3o fosse pela crise no Brasil e pela queda dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo\u201d, observa Emeolocipio Andrade, consultor com 40 anos de experi\u00eancia no\u00a0setor agr\u00edcola. A dist\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o aos centros consumidores de\u00a0biocombust\u00edveis\u00a0\u2013 sobretudo S\u00e3o Paulo, a 2.500 quil\u00f4metros \u2013, a p\u00e9ssima infraestrutura vi\u00e1ria da regi\u00e3o e o oneroso sistema tribut\u00e1rio brasileiro, que aplica um imposto cada vez que um bem cruza um Estado do pa\u00eds, terminaram por inviabilizar o projeto. Mas a \u00e1rea de plantio cresceu at\u00e9 os atuais 236.000 hectares, sendo 85% no Par\u00e1, e a produ\u00e7\u00e3o de \u00f3leo deve chegar neste ano a quase meio milh\u00e3o de toneladas, ainda sem atender \u00e0 demanda interna dos setores aliment\u00edcio e cosm\u00e9tico.<\/p>\n<h3>Os pequenos levam uma parte do bolo<\/h3>\n<p>O maior \u00eaxito, contudo, foi a integra\u00e7\u00e3o dos pequenos produtores \u00e0 cadeia de suprimento. As empresas recebem isen\u00e7\u00f5es fiscais se comprarem de fam\u00edlias camponesas pelo menos 15% da mat\u00e9ria-prima (o fruto da palmeira) usada na produ\u00e7\u00e3o dos v\u00e1rios tipos de \u00f3leos e gorduras de palma. Assim, centenas de fam\u00edlias transformaram suas ro\u00e7as de feij\u00e3o, mandioca e frutas em lavouras de palma, o que lhes permitiu melhorar bastante a sua renda. Os contratos de fornecimento \u00e0s grandes empresas \u2013 a maioria das quais reconhecidas internacionalmente \u2013 valem por 25 anos e tamb\u00e9m inseriram essa classe social no sistema financeiro, j\u00e1 que agora esses pequenos agricultores podem avalizar a abertura de linhas de cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>\u201cSe hoje eu tenho uma casa de cimento \u00e9 gra\u00e7as \u00e0 palma\u201d, diz o agricultor Daniel Mart\u00ednez, que desde 2002 fornece cachos de at\u00e9 20 quilos de dend\u00ea \u00e0 Agropalma. \u201cMuitos aqui pararam de destruir ilegalmente a floresta para plantar e produzir palma, porque veem que d\u00e1 resultado economicamente\u201d, acrescenta este campon\u00eas, entrevistado na Vila Solid\u00e3o, uma pequena comunidade do Par\u00e1 \u00e0 qual se chega ap\u00f3s percorrer 40 quil\u00f4metros de uma estrada de terra quase intransit\u00e1vel durante a esta\u00e7\u00e3o de chuvas. O \u00faltimo trecho precisa ser feito em balsa, pois n\u00e3o h\u00e1 ponte sobre o rio Moju neste ponto.<\/p>\n<p>Como dezenas de outros camponeses locais, Mart\u00ednez emprega formalmente seus dois filhos em sua lavoura de 10 hectares, de onde hoje diz obter uma renda de 2.600 a 3.000 reais por m\u00eas. Os estudos mais exaustivos feitos na regi\u00e3o apontam a que os camponeses podem chegar a quadruplicar sua renda com o cultivo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o tradicional de alimentos.<\/p>\n<h3>Aprender a gerir uma pequena empresa<\/h3>\n<p>A palma exige trabalho duro nos tr\u00eas primeiros anos, quando as \u00e1reas devem estar limpas e capinadas, pois do contr\u00e1rio a luz do sol n\u00e3o penetraria na emaranhada vegeta\u00e7\u00e3o amaz\u00f4nica. Tamb\u00e9m necessita de adubos e pesticidas, fornecidos pelas empresas compradoras. A planta alcan\u00e7a sua plenitude produtora entre 10 e 12 anos de idade, e a partir dos 23 come\u00e7a a declinar \u2013 al\u00e9m de sua altura tornar quase invi\u00e1vel a coleta dos cachos. Tudo isso exige certo aprendizado, em comunidades onde o\u00a0analfabetismo\u00a0ainda \u00e9 uma realidade e escasseiam os conhecimentos de administra\u00e7\u00e3o financeira e sobre oscila\u00e7\u00f5es do mercado internacional, como \u00e9 o caso do \u00f3leo de palma, cujo pre\u00e7o \u00e9 cotado em Roterd\u00e3. \u201cAlguns t\u00eam dificuldades para se organizar e pagar os cr\u00e9ditos que os bancos concederam para o investimento em sementes, adubos e ferramentas. Ou para administrar os ganhos nos diversos ciclos de produ\u00e7\u00e3o\u201d, admite Mart\u00ednez.<\/p>\n<p>\u201cCustei a me adaptar. Mas aprendi a administrar a renda e a pagar os cr\u00e9ditos em presta\u00e7\u00f5es mensais\u201d, diz, por sua vez, Luis Oliveira de Sousa, um campon\u00eas de 46 anos que conta os dias para abandonar sua velha moradia de madeira e se instalar com os tr\u00eas filhos numa chamativa casa de cimento. \u201cPaguei 80.000 reais de uma s\u00f3 vez, economizando pouco a pouco com a venda dos cachos\u201d, diz, com certo orgulho.<\/p>\n<p>Na Vila Araua\u00ed, outro povoado de camponeses que fornecem sua produ\u00e7\u00e3o \u00e0s empresas, 150 fam\u00edlias deram um passo \u00e0 frente e desenvolveram iniciativas conjuntas para alugar maquin\u00e1rio, obter cr\u00e9ditos maiores e at\u00e9 tirar f\u00e9rias, algo quase impens\u00e1vel para quem vive do campo por aqui, j\u00e1 que a terra exige trabalhos di\u00e1rios. \u201cCriamos um cons\u00f3rcio que usa recursos comuns para empregar 32 pessoas, com contrato e previd\u00eancia social, que ajudam os camponeses quando eles se ausentam das propriedades ou precisam de mais m\u00e3o de obra\u201d, diz Francisco Ramos, um produtor de 60 anos.<\/p>\n<p>Alguns acad\u00eamicos criticam que a palma tenha provocado uma queda na produ\u00e7\u00e3o de alimentos, o que encareceu localmente produtos como a mandioca, o arroz e o feij\u00e3o, que fazem parte da dieta b\u00e1sica na regi\u00e3o. \u201cAs rela\u00e7\u00f5es entre os pequenos produtores e as empresas \u00e9 assim\u00e9trica. O mais forte imp\u00f5e suas regras ao mais vulner\u00e1vel\u201d, diz o professor Elielson Pereira da Silva, que pesquisa na regi\u00e3o desde 2013. \u201cHouve falta de transpar\u00eancia por parte das empresas compradoras, que pesavam nossa produ\u00e7\u00e3o em suas instala\u00e7\u00f5es. Mas isso foi resolvido\u201d, matiza Mart\u00ednez, que lidera uma associa\u00e7\u00e3o que re\u00fane cerca de 100 produtores rurais.<\/p>\n<p>Outros agricultores locais, entretanto, criticam o fato de algumas empresas depositarem seus res\u00edduos nos rios. \u201cAqui a Biopalma lan\u00e7a os res\u00edduos no solo, o que polui os leitos dos rios e provoca a morte de peixes\u201d, conta uma mulher que se identifica apenas como Dalva. \u201cTamb\u00e9m contaminam os solos com agrot\u00f3xicos\u201d, acrescenta. O resultado disso, segundo um\u00a0estudo da Universidade Federal do Par\u00e1, de autoria dos ge\u00f3grafos Jo\u00e3o Santos Nahum e Cleison Bastos dos Santos, \u201c\u00e9 a configura\u00e7\u00e3o dos dendezais como \u00e1reas de risco ambiental em fun\u00e7\u00e3o da poss\u00edvel contamina\u00e7\u00e3o dos recursos h\u00eddricos, comprometendo a sa\u00fade das comunidades tradicionais do entorno que utilizam dessa \u00e1gua\u201d.<\/p>\n<p>O Greenpeace do Brasil, refer\u00eancia nacional na den\u00fancia aos impactos da atividade econ\u00f4mica na Amaz\u00f4nia, disse ao EL PA\u00cdS que n\u00e3o comentaria a quest\u00e3o. Outro estudo\u00a0publicado na revista cient\u00edfica Nature\u00a0alerta que as planta\u00e7\u00f5es de dend\u00ea n\u00e3o deveriam substituir a vegeta\u00e7\u00e3o florestal natural nem serem consideradas um componente das reservas florestais, entre outras raz\u00f5es porque n\u00e3o podem alojar muitas esp\u00e9cies nativas.<\/p>\n<p>As condi\u00e7\u00f5es de trabalho nas propriedades das grandes empresas, outro motivo de cr\u00edtica internacional do setor, tamb\u00e9m t\u00eam um aspecto peculiar no Brasil, um dos pa\u00edses com a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista mais rigorosa do mundo em desenvolvimento. As jornadas s\u00e3o duras, sobretudo pelo calor e pela exig\u00eancia f\u00edsica do trabalho manual, mas n\u00e3o passam de oito horas. Na Agropalma, onde o EL PA\u00cdS passou dois dias visitando uma propriedade de 104.000 hectares, os empregados usam luvas, uniforme e capacete. O sal\u00e1rio-base \u00e9 apenas ligeiramente maior que o sal\u00e1rio m\u00ednimo de 937 reais, mas aumenta por produtividade e pode alcan\u00e7ar os 2.000-2.200 reais.<\/p>\n<h3>Reflorestar pastos e armazenar CO2<\/h3>\n<p>Embora pare\u00e7a um paradoxo, o dend\u00ea tamb\u00e9m pode contribuir para o\u00a0reflorestamento da Amaz\u00f4nia. As pol\u00edticas desenvolvimentistas da\u00a0ditadura militar brasileira\u00a0(1964-1985) provocaram a maior reconfigura\u00e7\u00e3o socioambiental de todos os tempos na regi\u00e3o. Em apenas tr\u00eas d\u00e9cadas, milhares de quil\u00f4metros de estradas foram abertos em plena selva \u2013 entre eles a m\u00edtica\u00a0Transamaz\u00f4nica\u00a0\u2013, e milh\u00f5es de pessoas migraram de outras partes do Brasil em busca de emprego nos garimpos, fazendas de gado e obras de engenharia. Os sonhos de prosperidade impulsionaram um desmatamento acelerado e a transforma\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de hectares de selva amaz\u00f4nica em pastos que em tr\u00eas ou quatro anos se tornavam imprest\u00e1veis por causa da eros\u00e3o do solo e da perda de nutrientes. Essa massa de terras ociosas \u2013 que no Par\u00e1 se estende por 15 milh\u00f5es de hectares \u2013 \u00e9 justamente onde os dendezeiros podem se expandir.<\/p>\n<p>\u201cSim, o dend\u00ea, assim como outras culturas permanentes, de certa forma imita a floresta e mant\u00e9m os solos cobertos e protegidos\u201d, diz Jo\u00e3o Meirelles, diretor do Instituto Peabiru, com sede em Bel\u00e9m, e um dos maiores especialistas em assuntos da Amaz\u00f4nia brasileira. As rigorosas normas ambientais, que obrigam qualquer investidor a conservar pelo menos 50% do seu terreno como mata nativa, nem sempre s\u00e3o cumpridas, mas funcionam como uma espada de D\u00e2mocles para qualquer infrator, que fica sujeito a elevadas multas ou at\u00e9 mesmo penas de pris\u00e3o.<\/p>\n<p>Talvez por isso a palma n\u00e3o tenha tido um crescimento desenfreado no Brasil. Apesar de seu extraordin\u00e1rio potencial, o pa\u00eds est\u00e1 na lanterna entre os 10 maiores produtores mundiais. \u201cN\u00e3o acredito que o Brasil chegue a ser um grande produtor de \u00f3leo de palma, seremos um pa\u00eds de porte m\u00e9dio. Mas temos todas as condi\u00e7\u00f5es para sermos o maior fornecedor de \u00f3leo de palma sustent\u00e1vel\u201d, diz Marcello Brito, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Produtores de Palma (Abrapalma) e diretor-executivo da Agropalma. Dos 104.000 hectares da fazenda da empresa, 64.000 s\u00e3o de mata virgem, com imponentes \u00e1rvores de at\u00e9 50 metros, o que lhe valeu uma s\u00e9rie de certificados internacionais de boas pr\u00e1ticas. \u201cEm 2001 fomos os primeiros do planeta a nos comprometermos com o desmatamento zero\u201d, afirma.<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto de Heriberto Ara\u00fajo publicado no El Pa\u00eds em 18 de outubro de 2017 fala sobre a pol\u00eamica em torno da produ\u00e7\u00e3o de \u00f3leo de palma (dend\u00ea), e suas oportunidades em termos de gera\u00e7\u00e3o de renda ao pequeno produtor local e reflorestamento. 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