{"id":3295,"date":"2015-07-07T09:59:50","date_gmt":"2015-07-07T12:59:50","guid":{"rendered":"http:\/\/peabiru.org.br\/?p=3295"},"modified":"2015-07-07T09:59:50","modified_gmt":"2015-07-07T12:59:50","slug":"carta-sobre-a-meliponicultura-por-pantoja-ramos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.peabiru.org.br\/en\/2015\/07\/07\/carta-sobre-a-meliponicultura-por-pantoja-ramos\/","title":{"rendered":"Carta sobre a meliponicultura, por Pantoja Ramos"},"content":{"rendered":"<div>\n<div class=\"texhtml breakword\">\n<div style=\"width: 710px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/2-oraganizac3a7c3a3o-socioprodutiva_aldeia-ac3a7aizal-terra-indigena-uac3a7a-oiapoque-richardson-frazc3a3o.jpg?w=700&amp;h=\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"525\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Organiza\u00e7\u00e3o socio-produtiva da aldeia A\u00e7aizal, na Terra Indigena Ua\u00e7\u00e1, no Oiapoque (AP). Foto: Richardson Fraz\u00e3o<\/p><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"texhtml breakword\"><\/div>\n<div class=\"texhtml breakword\">Carta de\u00a0Carlos Augusto P. Ramos, consultor socioambiental,\u00a0originalmente publicada no\u00a0endere\u00e7o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.recantodasletras.com.br\/cartas\/5293055\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.recantodasletras.com.br\/cartas\/5293055<\/a><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"texhtml breakword\"><\/div>\n<div class=\"texhtml breakword\"><\/div>\n<div class=\"texhtml breakword\" style=\"padding-left:30px;\">\n<p><em>Bel\u00e9m, 28 de junho de 2015.<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left:30px;\"><em>Caro Richardson*, mano velho,<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left:30px;\"><em>Desde que conheci seus trabalhos sobre a cria\u00e7\u00e3o de abelhas nativas para a produ\u00e7\u00e3o de mel (de um nome complicado de decorar no in\u00edcio, confesso) ainda no Instituto Peabiru, percebi que ali estava uma antiga ci\u00eancia socioambiental, decisiva para contribuirmos com a diminui\u00e7\u00e3o de nossas a\u00e7\u00f5es desmedidas \u00e0 floresta. Assim, a Meliponicultura veio a mim como uma nova tecnologia social, mas besteira minha, \u00e9 sabedoria ind\u00edgena que temos subestimado, desde as d\u00e9cadas militares e mesmo no per\u00edodo de redemocratiza\u00e7\u00e3o brasileira. Ainda n\u00e3o se firmou como pol\u00edtica p\u00fablica \u00e9 bem verdade.<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left:30px;\"><em>Albert Einstein ao falar das abelhas, acertou em cheio sobre a soberba da humanidade em atacar a biodiversidade, ganhar dinheiro e achar que n\u00e3o ter\u00edamos as rea\u00e7\u00f5es da natureza. Mostra-se, pois, a diminui\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de frutas onde agem os agrot\u00f3xicos e agora plantios transg\u00eanicos, apesar da insist\u00eancia de alguns em dizer que n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o. O preocupante deste quadro \u00e9 o efeito sobre as \u00e1rvores de maneira geral. Contudo, apontas tu o caminho no seu Manual da Meliponilcultura: uma comunidade com 30 meliponicultores fixa 166 toneladas de carbono por ano e ajuda na conserva\u00e7\u00e3o de 160 hectares de floresta pela simples ajuda na poliniza\u00e7\u00e3o das plantas! Bingo!<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left:30px;\"><em>Como principais agentes polinizadoras das \u00e1rvores amaz\u00f4nicas, abelhas sem ferr\u00e3o como a uru\u00e7\u00fa e janda\u00edra (as mais conhecidas, do g\u00eanero Melipona sp), seu manejo somente agora come\u00e7a a ter mais reconhecimento do p\u00fablico e das ag\u00eancias de apoio a projetos socioambientais. Essa vit\u00f3ria \u00e9 sua e de todos aqueles que lutam por esta bandeira, agitada por muitos anos pacientemente at\u00e9 que fossem vistos como iniciativas de transforma\u00e7\u00e3o social, econ\u00f4mica e de combate ao desmatamento.<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left:30px;\"><em>E espalham-se os melipon\u00e1rios Amaz\u00f4nia afora. Sei que conheces e acompanhas os projetos junto \u00e0s entidades ind\u00edgenas do Amap\u00e1. Informo-te que existem pelo menos 10 projetos apoiados pelo Fundo Dema voltados para o desenvolvimento da meliponicultura em munic\u00edpios das regi\u00f5es Xingu e Baixo Amazonas que dariam por si s\u00f3 uma rede robusta de troca de experi\u00eancias como forma de aprimorar esta ci\u00eancia para torn\u00e1-la mais disseminada. Eis a sugest\u00e3o: Uma rede intercomunit\u00e1ria de meliponicultores.<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left:30px;\"><em>Sobre esta poss\u00edvel rede, n\u00e3o poderia de deixar de mencionar o trabalho feito por voc\u00eas na comunidade Praia Verde, em Almeirim, que poderia ser inclu\u00edda neste rol de entidades que defendem a cria\u00e7\u00e3o de abelhas nativas. Estive l\u00e1 no per\u00edodo de 19 a 21 de junho de 2015 e fiquei surpreendido com a desenvoltura dos comunit\u00e1rios locais em explicar as t\u00e9cnicas e com a pequena cidade das abelhas sem ferr\u00e3o na posse de \u201cseu Marab\u00e1\u201d. Ainda n\u00e3o produzem a quantidade de mel que desejam, uma vez que est\u00e3o em fase de consolida\u00e7\u00e3o das colmeias, mas um fato dito pelo senhor que nos acolheu nos deu dimens\u00e3o da import\u00e2ncia ambiental e econ\u00f4mica desta atividade: \u201ca produ\u00e7\u00e3o de frutos, principalmente de a\u00e7a\u00ed aumentou muito depois que come\u00e7amos a cria\u00e7\u00e3o de abelha nativa\u201d. Vejam s\u00f3 que interessante aliar abelha e a\u00e7a\u00ed, ent\u00e3o pronto: o manejo florestal de a\u00e7aizais nativos se depender de mim andar\u00e1 junto com a meliponicultura, n\u00e3o somente por causa do a\u00e7a\u00ed, mas para garantir a reprodu\u00e7\u00e3o de outras plantas para o enriquecimento da flora que rebate na fauna que rebate nos olhos dos que vir\u00e3o amanh\u00e3.<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left:30px;\"><em>No final das contas aprendi com sua arte (sim, pois acho uma arte) que dever\u00edamos pensar como as abelhas: polinizar nas mentes que outro mundo \u00e9 poss\u00edvel, diverso, equilibrado, mais justo e muito mais interessante.<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left:30px;\"><em>Aos mestres, escrevi.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"aut\" style=\"padding-left:30px;\"><em>Pantoja Ramos<\/em><\/div>\n<div class=\"aut\"><\/div>\n<div class=\"aut\">*Richardson Fraz\u00e3o \u00e9 coordenador do projeto\u00a0<a href=\"https:\/\/www.peabiru.org.br\/en\/abelhassemferao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">N\u00e9ctar da Amaz\u00f4nia<\/a>.<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carta de\u00a0Carlos Augusto P. 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