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Na Amazônia brasileira mais de 10% da população é considerada como população tradicional – índios e caboclos. São mais de 2 milhões de ribeirinhos, seringueiros, pescadores artesanais, quebradeiras de coco, castanheiros e pequenos agricultores etc., além de mais de 200 mil índios de mais de 180 Nações.
Compartilhada por oito países, a Amazônia é uma das últimas regiões naturais do Planeta, detentora da maior biodiversidade e fundamental para o equilíbrio climático da Terra, além de ser o maior reservatório natural de água doce superficial.
Historicamente, o Brasil relegou a região ao segundo plano, concebendo-a como fonte inesgotável de terras e matérias primas, praticando a pilhagem e a ocupação de forma desordenada e violenta. A partir de 1964 a Amazônia foi interligada por estradas ao Nordeste e Centro-Sul do país, a migração foi estimulada e os incentivos fiscais atraíram indústrias, a pecuária bovina extensiva e a constituição de um dos maiores pólos minero-metalúrgicos do planeta.
Graças à impunidade, à ausência de estado, à corrupção, ao coronelismo vigentes, bem como à incompreensão do que verdadeiramente representa a sociedade e a natureza da Amazônia, a região perdeu, em 50 anos, 20% de sua cobertura vegetal – 70 milhões de hectares, uma área correspondente aos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo.
Em vez de atacar o problema de frente, a maior parte do poder público, da iniciativa privada e da opinião pública prefere tratar dos efeitos – o desemprego, os baixos salários, a queimada e o desmatamento – e não das verdadeiras causas – a má distribuição de renda, o acesso injusto à educação e serviços públicos, além da subserviência aos ditames dos interesses globais por carne barata, carvão vegetal para as siderurgias , energia subsidiada e água exportada na forma de grãos e carnes.
No meio rural provavelmente o maior desafio seja oferecer respostas adequadas ao rápido avanço da pecuária bovina extensiva. Em 50 anos o Brasil transferiu para região mais de 1/3 de seu rebanho bovino (75 milhões de cabeças). Entre as conseqüências imediatas estão: Brasil campeão mundial de desmatamento, queimadas e o 5o maior emissor de gases que contribuem para o aquecimento global.
As perspectivas são sombrias: de um lado, a pecuária e a soja avançam sem que minimamente sejam respeitadas a moderna legislação trabalhista e ambiental, e de outro, ensaia-se um novo ciclo de infra-estrutura, mineração e metalurgia sem precedentes, com a perspectiva de investimentos, em 10 anos, de mais de US$ 100 bilhões, volumes superiores aos dos últimos 500 anos.
Que Amazônia queremos para nós e nossos filhos? É possível aliar sustentabilidade e mineração e negócios rurais? Como substituir as atividades não sustentáveis antes que estas nos destruam e à Amazônia? De que maneira garantir os direitos básicos aos cidadãos da Amazônia, especialmente educação, emprego e renda, e, em particular garantir os direitos de acesso aos conhecimentos tradicionais associados à biodiversidade?
É neste cenário que se insere o Instituto Peabiru, como organização sem fins lucrativos, cujo perfil agora lhe apresentamos.